Eleições Legislativas 2011

Abril 10 2011

Se as próximas eleições legislativas não ditarem um vencedor maioritário, as negociações para um próximo Governo serão feitas com José Sócrates.

Há algumas semanas, vários nomes do núcleo duro do secretário-geral socialista tinham já vindo a público marcar posição, defendendo que, mesmo face a um cenário de derrota nas próximas eleições legislativas, Sócrates terá todas as condições para manter a liderança. Uma tese que saiu reforçada com os números da vitória de Sócrates nas eleições directas no partido -  93,3%. E, já esta semana, com a entrevista do primeiro-ministro em funções à RTP.

«Não faz sentido que o líder que foi eleito agora, com grande unidade do partido, seja posto em causa logo a seguir»,defende Edite Estrela, eurodeputada e membro do secretariado. José Lello, deputado e um nome próximo do líder socialista, argumenta que uma derrota eleitoral nunca ditou a saída de um líder do PS: «Nunca, nunca aconteceu». Correia de Campos alinha pela mesma ideia. Renato Sampaio, líder do PS/Porto, alinha pela mesma ideia: «A nossa cultura política não é a do PSD, que acha que um líder que não ganha eleições tem de ser corrido. O PS_é um partido mais estável. E é tão digno estar no Governo como na oposição».

Os avisos do PSD e CDS de que admitem acordos com o PS, mas sem José Sócrates como secretário--geral, não demovem - muito pelo contrário - os socialistas.

Questionado sobre se o secretário-geral pode ser um obstáculo a um entendimento, Manuel Alegre é taxativo: «Quem escolhe o seu líder é o PS. E o PS escolheu por grande maioria o engenheiro Sócrates». Já sobre o destino de Sócrates se não vencer as eleições, o ex-candidato presidencial não se pronuncia.

«Quem escolhe o secretário-geral do PS são os socialistas. E este secretário-geral foi escolhido há muito pouco tempo»,refere igualmente Miranda Calha, deputado e também membro do Secretariado. «A oposição não condiciona a liderança do PS»,diz por seu turno José Lello. A hipótese de um afastamento de Sócrates para facilitar um entendimento é completamente afastada.

Em entrevista à RTP1, Sócrates afirmou que, após as legislativas antecipadas de 5 de Junho, o PS «está, como sempre esteve, disponível para o compromisso e para o diálogo».

O que é válido para o cenário de uma vitória minoritária dos socialistas: «Se o PS ganhar as eleições sem maioria farei o meu melhor para que Portugal tenha um governo maioritário no Parlamento. Isso é absolutamente imprescindível». O primeiro-ministro em funções foi menos claro quanto a um cenário de vitória do PSD, mas manteve que «quem ganhar deve ter um governo maioritário» e que estará disponível para o diálogo. E, pelo caminho, foi avisando que não compete aos partidos da oposição pronunciarem-se sobre a liderança dos socialistas.

Se José Sócrates vencer as próximas eleições, por poucos votos que seja - um cenário apontado como difícil, mas possível, entre os socialistas -, Sócrates estará disposto a formar Governo e deixará à oposição o ónus de uma recusa. O que poderá rapidamente transformar-se num impasse, dada a improbabilidade de alianças à esquerda. Isto num contexto em que o Presidente da República já fez saber que defende a necessidade de um amplo consenso: ou seja, um governo maioritário.

Se o cenário for o inverso, com o PSD a ganhar sem maioria, um dado é certo: seja qual for a solução encontrada, nunca passará por um governo que junte Passos e Sócrates. O que está longe de ser sinónimo de uma saída do cargo de secretário-geral.

Se uma vitória de José Sócrates, por escassa que fosse, afastaria qualquer debate em torno de uma eventual sucessão, já o cenário de uma derrota causa opiniões divergentes entre os socialistas.

Em particular num cenário de maioria da direita, há quem não tenha dúvidas: «Sócrates tem de sair». Outro socialista diz-se convicto que esta não será uma questão que dividirá o PS: «Sócrates não está agarrado ao poder. Saberá quando for o momento de sair».

fonte:http://sol.sapo.pt/

publicado por adm às 00:27

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