Eleições Legislativas 2011

Maio 18 2011

“Tragédia” e “bancarrota social” são algumas das expressões usadas pelos partidos à esquerda e à direita do PS perante os últimos dados sobre a perda de postos de trabalho em Portugal. Uma nova metodologia levou a uma atualização da taxa de desemprego para os 12,4 por cento. José Sócrates apoia-se na nova forma de fazer as contas e insiste no impacto da crise internacional. Os adversários culpam-no pela escalada dos números.

Os números agora publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) compõem o quadro de “tragédia a que o Estado social tem chegado”. É o presidente do PSD quem o afirma. Diante de uma taxa de desemprego de 12,4 por cento, Pedro Passos Coelho considera que o país está confrontado com “um valor muito grave” e que “tem tendência para se acentuar”. A resposta, defendeu o líder social-democrata a meio de mais uma jornada de pré-campanha eleitoral, “Quebra de série”

De acordo com os números do INE, a taxa de desemprego em Portugal atingiu, no primeiro trimestre de 2011, os 12,4 por cento. O Instituto refere, no entanto, que a taxa teria sido de 11,4 por cento, caso se tivesse mantido “o modo de recolha anterior” – nos últimos três meses do ano passado, a taxa foi de 10,6 por cento. 

A realização de entrevistas por telefone, em vez do modo presencial, é a principal mudança introduzida pela nova metodologia de recolha de informação para as Estatísticas do Emprego. Ao abrigo das novas regras, a primeira entrevista ao alojamento é realizada presencialmente. As cinco entrevistas seguintes realizam-se ao telefone, a não ser que o agregado familiar não concorde com este modo. Há também “adaptações do questionário à inquirição telefónica e a adoção de novas tecnologias no processo de desenvolvimento e supervisão do trabalho de campo”. 

"Face à introdução destas alterações, os resultados agora publicados não permitem uma comparação direta com os dados anteriores, configurando, assim, uma quebra de série", sublinha o INE nas Estatísticas do Emprego. 

Os dados revelam que a taxa de desemprego mais elevada pertence ao Algarve, com 17 por cento, seguindo-se a Madeira, com 13,9 por cento, e Lisboa, com 13,6 por cento da população ativa sem trabalho. 

Na distribuição etária, são ainda os trabalhadores mais velhos que mais engrossam a taxa de desemprego do país: 30,3 por cento dos desempregados têm 45 ou mais anos; entre os grupos etários dos 25 aos 34 anos e dos 35 aos 44 anos, as taxas são de 28,5 e de 23,3 por cento, respetivamente; os jovens dos 15 aos 24 anos representam 18 por cento do desemprego total.

Quanto às habilitações literárias, de janeiro a março deste ano 67,4 por cento dos desempregados tinham, no máximo, o 3.º ciclo do Ensino Básico, 20,3 por cento tinham completado o Secundário ou pós-Secundário e 12,3 por cento tinham formação superior.
passa por “não repetir os mesmos erros do passado”.

Foram sobretudo os “erros” da governação socialista, na perspetiva de Passos, que “conduziram a uma recessão económica em que o país não consegue manter a sua capacidade produtiva, não apenas a criar riqueza, mas também emprego”. 

“Em segundo lugar, precisamos de políticas ativas de emprego mais bem sucedidas do que aquelas que temos tido até hoje e, em terceiro lugar, temos realmente de apostar na economia, sem o que nós não conseguiremos evitar não apenas a recessão económica mas também a recessão social”, acrescentou o líder laranja, que falava aos jornalistas em Faro.

Por sua vez, Paulo Portas assinala que, “quando os números oficiais apontam para cerca de 700 mil desempregados, isso significa a maior fratura social que algum dia o país conheceu”. “Significa também”, reagiu o líder do CDS-PP na Covilhã, “que a única forma de recuperar emprego é apostar em quem pode criar emprego e isso, em Portugal, são pequenas, micro, médias e também, naturalmente, grandes empresas, estimulando absolutamente as políticas que permitam aumentar o investimento e aumentar a contratação”.

Portas propugnou, em seguida, que se impõe “ser pragmático”: “Eu não consigo entender como é que os contratos a prazo que terminam este ano excecionalmente não podem ser renovados, porque isso significa atirar dezenas de milhares de pessoas, algumas já estão nestes números, ou para recibos verdes, ou para o desemprego”.

“Isso significa também saber distinguir aquilo que é uma situação dramática que em muitos concelhos atinge os membros de uma família completa, há lares de Portugal onde não existe um posto de trabalho, sobretudo atender à questão das mulheres que, a partir de uma certa idade, não têm uma segunda oportunidade e dos jovens, que vamos a caminho de ter um em cada três sem perspetivas de trabalho, e também saber distinguir essas situações dramáticas daquilo que seja não a procura de emprego mas a procura de continuação na Segurança Social. Infelizmente, estes números só confirmam aquilo que nós fomos dizendo ao contrário daquilo que o Governo dizia”, rematou.

“Bancarrota social”
A reação do Bloco de Esquerda aos dados do INE seguiu-se a um encontro entre Francisco Louçã e dirigentes da CGTP em Lisboa. Face aos números, o coordenador da Comissão Política do partido concluiu que “Portugal nunca sofreu uma bancarrota social com tanto desemprego”.

“Com os números que hoje sabemos, de 123 mil desempregados que vão perder o subsídio de desemprego quando o mereciam, quando descontaram para ele, quando ele é parte do esforço que fizeram pelo país, com o aumento de 150 mil novos desempregados ao longo deste ano e do próximo, nós teremos garantidamente como resultado da recessão um número a aproximar-se dos 800 mil, em números oficiais, e já não estaremos muito longe de um milhão em números reais”, assinalou Louçã.

Para o dirigente bloquista, é preciso ter em conta as pessoas “desincentivadas” que não procuram os centros de emprego, os trabalhadores com horários incompletos, os jovens à procura do primeiro posto de trabalho e quem frequenta ações de formação sem perspetivas de emprego.

Entre os comunistas, os números são recebidos como uma confirmação da “consequência quase inevitável da atual política económica”. Ou seja, concluiu o secretário-geral do PCP em Sesimbra, “o aumento do desemprego em Portugal, muitas vezes escondido, manipulado por estatísticas”. “Independentemente de se terem alterado os critérios, o ano passado, no período homólogo, era de dez vírgula qualquer coisa e agora é de 12,4 por cento. O desemprego aumentou em Portugal”, frisou Jerónimo de Sousa.

“Deve-se à nova metodologia”
Na leitura do primeiro-ministro cessante, todavia, “a mudança para o número de 12,4 por cento” fica mesmo a dever-se, em primeiro lugar, “à nova metodologia e o INE teve cuidado de esclarecer essa diferença”. A este argumento, José Sócrates soma, uma vez mais, uma crise internacional que “provocou um disparo do desemprego em todos os países desenvolvidos”.

Numa sessão de pré-campanha, em Vila Franca de Xira, dedicada ao programa Novas Oportunidades, Sócrates acrescentou: “O mais importante para respondermos ao problema do desemprego é concentrarmo-nos na recuperação económica em termos de crescimento, mas também no aumento das qualificações. Para esse objetivo, o programa Novas Oportunidades dá um excelente contributo”.

Já o secretário de Estado do Emprego sustentou que a subida da taxa de desemprego “estava dentro das expectativas”, salientando que “o contributo mais significativo foi de pessoas que não estavam à procura de emprego e que agora estão”. Embora admita estar “preocupado com a alta taxa de desemprego”, Valter Lemos enfatizou que “o contributo mais relevante foi dado pelos fluxos da passagem de inativos para a situação de desemprego”. E também que “a metodologia do INE foi alterada e não se pode comparar com os números anteriores”.

fonte:http://www.rtp.pt/
publicado por adm às 22:36

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