Eleições Legislativas 2011

Abril 30 2011

Depois de ter caído “na armadilha” de uma crise política com epicentro no gabinete de José Sócrates, o PSD aparece “na defensiva” e enredado numa “flutuação programática” que “dá força à campanha” socialista, conclui José Pacheco Pereira. Em entrevista à Antena 1, o político social-democrata, agora arredado das listas do partido, reafirma que o atual líder laranja não lhe suscita entusiasmo. Ainda assim, a sua escolha vai para Passos Coelho.

Na leitura de Pacheco Pereira, é errada a forma como o PSD de Pedro Passos Coelho está a abordar o combate eleitoral para as legislativas de 5 de junho. A “atuação” dos social-democratas, propugna o deputado cessante, deveria contrapor à “hostilidade do engenheiro Sócrates, uma “atitude construtiva, programática, pessoal, de alternativa”: “E esta flutuação programática, este para trás, para a frente e para o meio e cair nas armadilhas do engenheiro Sócrates, estar na defensiva, porque neste momento está na defensiva, tira essa força e dá força à campanha do engenheiro Sócrates. Mas é a força do mal”.

Numa avaliação crítica do desempenho do sucessor de Manuela Ferreira Leite, José Pacheco Pereira considera que os social-democratas deveriam ter evitado desencadear um “processo eleitoral nesta altura”. “Eu acho que José Sócrates desejou eleições e criou uma provocação para ter eleições. E desejou eleições por algo que nunca dirá e por isso atua com dolo. Percebeu que tinha de pedir ajuda externa, que não podia continuar a ser frito em lume brando. Ele tem sensibilidade eleitoral, de facto é um grande politiqueiro, e portanto montou uma armadilha e o PSD caiu na armadilha de ter chumbado o PEC [Programa de Estabilidade e Crescimento] num contexto em que inevitavelmente se iria dar a crise e o descalabro que se deu”, reiterou Pacheco Pereira na entrevista à editora de política da Antena 1, Maria Flor Pedroso.

Alertando para a aparente falta de “entusiasmo por outrem”, entre os eleitores, o político admite, uma vez mais, que pode até “não estar muito entusiasmado” com a atual liderança do PSD. Mas assevera: “Entre Sócrates e Passos Coelho, eu escolho Passos Coelho, que fique bem claro”. 

“Há muita má-fé na vida política. Mais vale, nalguns casos, dizer com clareza, porque, como o sistema político-partidário é muito feito de mecanismos de má-fé, mais vale dizê-lo com clareza. Mas eu não tenho dúvida nenhuma do que Sócrates e o PS fizeram ao país. Eu acho que este homem é perigoso, que este homem estava a conduzir o país para uma crise muito considerável, mesmo antes da crise internacional”, frisou.

Já sobre o secretário-geral do partido, Pacheco Pereira resume: “Eu não voto em Miguel Relvas, eu voto no PSD”.

“Um bloqueamento mútuo”
Recuando ao momento da rejeição do PEC IV, José Pacheco Pereira insistiu na tese de que Pedro Passos Coelho “tinha a obrigação de ponderar muito seriamente a abertura de uma crise política naquela altura”. Isto porque dispõe de “muitas das informações que tem Sócrates”. O “problema”, ilustrou, “não é apenas do PEC, já vem de antes, colocar-se face às iniciativas governamentais na necessidade de as aprovar pontualmente”.

“Manuela Ferreira Leite tinha proposto uma forma diferente de atuar que era: em tudo o que é documento fundamental, o PSD abstém-se. E esta, para mim, tinha sido a estratégia. Passos Coelho começou a fazer afirmações muito radicais, eu não faço istoeu não aumento impostos, e depois tinha muita dificuldade em recuar e é evidente que isto, para um líder político, é muito desgastante e, em primeiro lugar, no seu próprio partido. Portanto, Passos Coelho diminuiu a sua própria margem de manobra”, sustentou.

Pacheco Pereira vê igualmente erros de estratégia no processo de elaboração do programa social-democrata, argumentando que a abertura a propostas de “setores económicos” e “tecnocráticos” acabou por gerar “um bloqueamento mútuo”.

“Andou a fazer um namoro para os setores económicos, tecnocráticos, e teve aí algum sucesso. E pediu-lhes para fazerem propostas. Eles, evidentemente, fazem propostas que, como é muito característico das propostas tecnocráticas, ou são académicas ou completamente fora do contexto político. E do outro lado tem o aparelho, que é quem lhe dá o apoio dentro do partido. E o aparelho, se há coisa que sabe, é como é que se perdem eleições. Tem uma espécie de faro e sabe perfeitamente que, se aparecer a defender a liberalização dos despedimentos, arrisca-se a perder votos. Portanto, estas duas coisa bloqueiam-se e todo este processo do programa tem sido um bloqueamento mútuo”, avaliou Pacheco Pereira.

“Os outros, ingenuamente, avançam com as propostas, convencidos de que estão a exercer o seu papel, e depois aquilo tem muitos grupos, é uma multiplicidade de grupos em que cada um quer mostrar serviço e depois, a seguir, tem que se dizer não às propostas”, rematou.

“Não há milagre” em junho

Também a escolha de Fernando Nobre como o nome com a chancela do PSD para a Presidência da Assembleia da República merece a reprovação de Pacheco Pereira. Se permanecesse na bancada social-democrata, assegurou, jamais votaria no ex-candidato a Belém: “Não, porque eu não mudo o meu ponto de vista sobre Fernando Nobre das eleições presidenciais para as eleições legislativas”.

A campanha presidencial de Nobre foi, segundo Pacheco Pereira, “negativa sobre todos os aspetos”. Em primeiro lugar, “porque não disse nada”. “Estar a repetir a palavra cidadania não significa nada, depois porque trazia aquele elemento anti-partidos, que é antidemocrático, e depois um discurso caótico e que ganhou votos por uma conjuntura que não se repete”, prosseguiu, acrescentando que, na sua opinião, “muito dificilmente” os deputados social-democratas elegerão Nobre para o cargo de presidente do Parlamento “no voto secreto”.

Quanto à negociação do pacote de resgate financeiro com a missão do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu, Pacheco Pereira defende que o acordo de ajuda externa deve ser assinado “por todos aqueles que aceitam” esse “princípio”. E até o penhor dos parceiros sociais “é vantajoso”.

Já o Presidente da República “tem que encontrar um mecanismo de caução”. “Eu não tenho dúvida nenhuma de que ele dará um mecanismo de caução, não precisa formalmente de assinar. Pelo contrário, os partidos políticos, esses, têm que ter um ato formal de apoio, porque se continua este ambiente de conflitualidade nós vamos continuar a ter o mesmo drama, o mesmo psicodrama de todas as vezes que houver legislação. E a uma dada altura estes homens que nos estão a dar o dinheiro cortam-nos, ou começam a atrasar o pagamento”, advertiu.

Até porque que as próximas eleições não vão produzir um “milagre”: “Infelizmente, a Nossa Senhora de Fátima já apareceu há muitos anos. Não vai aparecer nenhuma Nossa Senhora de Fátima na Assembleia da República, nem há nenhum mágico que vá lá com uma varinha e que mude o caráter das pessoas, dos partidos, os comportamentos”.

fonte:http://tv1.rtp.pt

publicado por adm às 23:29
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